| Comentários de
Da Gávea
em
Friday, September 10, 2010
as
00:27
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A Hora do Esporro I A minha semana de trabalho é extensa e caótica, a dinâmica do trabalho é tão enlouquecida que não se consegue estabelecer nenhum tipo de rotina. O Flamengo tem sido uma fuga desse meio ambiente estressante, insano e imprevisível. Pelo menos o Flamengo e seus jogos pelo Brasileiro são uma garantia. A garantia de que vou me deprimir. Pelo menos isso eu consigo planejar, porque nesse quesito o Flamengo tem sido de uma precisão e de uma regularidade infernais. E para sacanear ainda mais o Flamengo agora leva gol antes dos 10 minutos, pra gente ficar logo na lama no comecinho do jogo e não sair mais. Já sei, já sei. Quem disse que ia ser moleza? Ninguém disse, mas mesmo assim tá sinistro o bagulho. É todo jogo assim, agora? Quando não perdemos no domingo tomamos na cabeça na quarta-feira. A torcida nem lembra mais como é que se comemora vitória e na hora que sair um gol (a nosso favor) vai ter nego precisando ler um tutorial da versão 2009 do time porque essa versão 2010 é cheia de bugs, os patches não funfam, o ano já tá acabando e ainda não disse ao que veio. Eu mesmo não sei mais como cornetar a nossa relapsa mulambada. Porque nas minhas ultimas cornetadas frenéticas, lá pelos agostos de 2009, sempre tinha um ou outro mala que se destacava na ruindade e merecia então a infausta menção nominal. Mas nesse bolo aí que tá entrando em campo fantasiado de Flamengo dá pra livrar a cara de quem? Do Lomba e do Willians pela correria, e olhe lá. O resto tá mesmo abaixo da crítica, além de cansados, conspicuamente mal preparados fisicamente. O Renato, tão pedido pelos gatomestres da torcida, não está apenas errando tudo que tenta. Ele está simplesmente andando em campo. E andando devagar como se não dependesse mais do futebol para viver. Mas antes fosse só ele o chupa-sangue, antes pudéssemos colocar tudo na conta do Canelada, despacha-lo para o banco e correr pro abraço porque o time agora ia voar. Não façamos a nós mesmos de otários procurando culpados para cobrir de piche e penas. Se mandarmos pra vala todo mundo que tá no inquérito não teremos time pra jogar no sábado contra o genérico baiano. Existe um escandaloso surto de hematofagia no elenco todo. Uns chupando o sangue dos outros num circulo vicioso que está nos levando com impressionante velocidade ao buraco. Quem vê o time jogando tem a impressão de que os caras nem se falam fora de campo. Porque ninguém se ajuda, é cada um por si. Cada um por si e ninguém pelo Flamengo. A expulsão do Diogo foi uma das maiores demonstrações de jumência do presente campeonato. Mesmo com o Vice de volta à primeira divisão foi uma proeza dificil de ser batida. É óbvio que tem alguma coisa muito errada. Dizem os estudiosos que quando um ou outro jogador está jogando mal deve se trabalhar individualmente com cada um deles para que eles recuperem sua confiança e seu futebol. Mas que quando um time inteiro joga mal o problema é do treinador. Vontade pra falar mal do Silas certamente não há de faltar. Mas, na moral, pode haver algum sentido em colocar a culpa pela campanha vergonhosa num cara que acabou de chegar e pegou esse elenco ai com 49 jogadores, 12 volantes, 6 zagueiros e que não consegue fazer um gol desde que o Serra tava na liderança das pesquisas. Tem culpa ele? Mas depois de 3 jogos já temos intimidade suficiente para podermos criticar a sua visão artística do futebol. Porque um cara que escala Toró, Correia, Willians e Renato no meio veio ao mundo pro empate e despreza o belo (o conceito estético, não o pagodeiro). O que esses 4 fizeram com a bola ali na meiúca foi nojento. Tais maus tratos à gorduchinha poderiam ser tranquilamente enquadrados na Lei Maria da Penha. Silas não demorou a perceber a gafe, mas ao invés de colocar em campo o único jogador no elenco que fala, entende e escreve bolês, ele preferiu o simpático Vinicius Pacheco, que não faz mal a ninguém e é como se fosse o bom selvagem, completamente analfabeto, surdo e mudo no idioma da bola. Como acreditar que ele queria ganhar o jogo fazendo essa barbeiragem? Indefensável, Silas. Fooom!
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