A História da Imprensa

Fundamental na comunicação em qualquer sociedade, a imprensa é indispensável para manter a população bem informada e "carregar" um grande número de informações de uma lado para outro do mundo num prazo curto de tempo, a imprensa sempre exerceu grande influência no comportamento humano, desde que surgiu. A imprensa analisa, informa, opina, distorce. O seu grande poder já assustou (e assusta) os mais poderosos homens do mundo, e foi assim, desde o início, como se pode ver, no resumo, a seguir ...

Obs: Aqui temos a históra da imprensa desde que se manifestou na Europa até a proclamação da República no Brasil.

A Imprensa na Europa
Na Idade Moderna, nem a Igreja e nem os governos absolutistas queriam ter a imprensa contra si, pois tinham conhecimento do poder dela. Assim, a imprensa da época era extremamente neutra a tudo, mantendo-se distante de quaisquer críticas e sujeita a uma rígida censura, com publicações oficiais.
A partir do século XVIII, com o desenvolvimento do capitalismo e as novas tendências liberais, a imprensa – seguidos pela chegada da burguesia e sua idéias de progresso – a imprensa passou a atuar com maior liberdade de expressão.
Sentindo diretamente os efeitos da urbanização e da mecanização, a imprensa sentiu uma
necessidade de adequar-se aos novos tempos, reforçando seu papel junto ao público e tornando-se acessível a uma parcela maior da sociedade.
Assim, o número de jornais e revistas mutiplicou-se, livres da opressão dos séculos anteriores.
Cada vez mais eram inventadas novas tecnologias para a impressão rápida e barata das
publicações, e uma das mais importantes, a impressora a vapor, ocorreu no início do século XIX.

No Brasil, a imprensa já dava seus primeiros passos...
No Brasil Colonial
Uma vez que o Brasil era colônia de Portugal, não havia nenhuma medida por parte dos
portugueses para a urbanização e desenvolvimento brasileiro. Pelo contrário, somente a
exploração dos minérios e da agricultura é que interessavam, pois isso era traduzido em riquezas para o país colonizador.
Com princípios básicos como o transporte e a educação em estado precário, que dizer então da imprensa. Além disso, as condições sociais e culturais não favoreciam a imprensa, pois poucos sabiam ler, e os que sabiam, menos ainda se interessavam em jornais.
A inexistência da imprensa no período colonial somente favorecia Portugal, que teria um povo mais ignorante e fácil de ser dominado – e explorado.

Na América Colonial
Durante uns 300 anos não houve imprensa no Brasil, para não haver difusão de idéias que
prejudicassem o Estado.
Mas na América do Norte, que já gozava de certa autonomia, a imprensa instalou-se em 1638,
em Massachussets, e logo Boston teria seu primeiro jornal. Após a Guerra da Independência,
1775, o número de jornais cresceu de 37 para 200 em 1789.
A América Espanhola, cujo sistema de colonização era por demais parecido com o sistema
português, conseguiu mesmo assim uma imprensa precoce. As cidades da América espanhola
tinham importante papel de foco cultural, a partir das quais se constituiriam sociedades civilizadas.
Dentro desse contexto civilizador foram instaladas a imprensa e as universidades.

Implantação da Imprensa no Brasil
Com medo de Napoleão Bonaparte e seu exército, a família real portuguesa veio instalar-se no
Brasil em 1808, e uma das primeiras medidas adotadas por D. João foi abrir os portos brasileiros para as nações amigas.
Assim, a Inglaterra aproveitava-se para exercer sua influência sobre o Brasil. Comerciantes
ingleses instalaram-se de imediato, trazendo consigo novas culturas e idéias. Com a chegada da
corte, foram fundadas novas escolas e foi implantado o ensino superior, melhorando a instrução.
Ainda em 1808, D. João autorizou a Imprensa Régia, que significava uma imprensa sujeita a forte censura, para impedir qualquer coisa contra o reino, a família e os bons costumes.
Em 10 de setembro de 1808, a publicação do primeiro jornal brasileiro: "A Gazeta do Rio de
Janeiro
", jornal oficial. Publicava notícias sobre a natureza européia, documentos oficiais, as
virtudes da família real...
"O Correio Brasiliense", de Hipólito José da Costa, maçônico foragido que redigia o jornal na
Inglaterra e exportava por meio de contrabando para o Brasil. O "Correio Brasiliense"ou
"Aramazém Literário" tinha mais de 100 páginas e saía mais ou menos uma vez por mês.

Na Independência.
A Revolução do Porto pôs fim ao absolutismo portugês e exigiu a volta de D. João VI em 1820.
O projeto de independência acelerou-se, com muitos grupos brasileiros com diferentes projetos.
Um dos maiores exemplos do papel da imprensa na independência foi o "Revérbero Constitucional Fluminense", escrito por Gonçalves Ledo e Januário da Cunha Barbosa, em setembro de 1821.
Um jornal que levava a neutralidade ao extremo era o "Diário do Rio de Janeiro".
Após a independência, a imprensa viveu um período de agressões aos jornalistas e muitos
tumultos.

A aristocracia rural brasileira, liderada por José Bonifácio, perseguia de maneira implacável seus
opositores. Os liberais radicais e seus jornais foram os principais alvos.
Augusto May, em seu jornal "Malagueta Extraordinária", criticou a falta de liberdade da imprensa e abuso de autoridade do governo, e depois de receber respostas ofensivas por meio de outros jornais , e até vulgares, foi espancado violentamente em sua própria casa.
Os jornais não davam trégua aos portugueses, embora a Assembléia Constituinte e o Imperador
fizessem parte do maior palco de atritos.
Com o espancamento do jornalista David Pamplona, a situação agravou-se ainda mais e D. Pedro I dissolveu a Assembléia Constituinte.
A imprensa ganhava força, e um jornalista que se destacou na época foi Cipriano Barata.
Em São Paulo, o primeiro jornal impresso surgiu em 1823, e chamava-se "O Farol Paulistano".
Em 1831, D.Pedro abdicou do trono, cedendo a oposição.

Na Regência
Com a abdicação de D. Pedro, veio a regência, uma vez que D.Pedro II ainda era criança e não
podia assumir o trono.
Aumentou o número de jornais, dentre os quais destacavam-se os Pasquins, pequenas
publicações que usavam o humor e a sátira como arma, e tinham nomes diferentes como "O
Narciso
", "Dr. Tirateimas", "O Martelo", "Brasil Aflito", etc.
Não haviam somente pasquins de oposição. O próprio governo possuía alguns.

No Segundo Reinado
Uma das maiores características desta época foi a participação de grandes escritores na imprensa local, dentre eles, alguns dos maiores autores da literatura brasileira.
Em 1857 era publicado pelo Diário do Rio de Janeiro "O Guarani", uma série de incrível sucesso.
Em 1855, o "Brasil Ilustrado" iniciou a publicação regular de uma revista de caricatura.
Um dos grandes momentos da imprensa ilustrada foi em 1876, a Revista Ilustrada, semanal e cujo destaque era Ângelo Agostini.
Em 1870, o Rio de Janeiro conheceu o jornal "A República", publicando o manifesto republicano.
Haviam jornais republicanos espalhados por todo o país.
Em São Paulo, o "Correio Paulistano". A abolição e a República agitavam a opinião pública.
Em 16 de novembro de 1889, o jornal republicano "A Província de São Paulo" publicava em letras ocupando toda a página: "Viva a República" e passava a se chamar "O Estado de S. Paulo".


Bibliografia: História da Comunicação - LIMA, Sandra Lúcia Lopes - Editora Plêiade .
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