![]() |
A História das Eleições Do
golpe de 64 à redemocratização
Senador biônico O pleito de 1978 foi marcado por mais um casuísmo do governo. No ano anterior, o general Ernesto Geisel baixara uma emenda constitucional, conhecida como Pacote de Abril, que instituía eleições indiretas para o Senado. A medida tinha por objetivo evitar que o MDB fosse majoritário no Senado - nas eleições de 1974 o MDB havia eleito 67% dos senadores. Funcionava assim: nas eleições em que 2/3 da casa fosse renovada, um senador seria eleito pelo voto direto e outro pelo Colégio Eleitoral, que era dominado pela Arena. Nas eleições de 1978, apenas um senador foi eleito pelo voto do eleitor - o outro foi escolhido indiretamente. Mesmo assim, quando as urnas se abriram, o MDB, capitaneado pelo deputado Ulysses Guimarães, havia dado uma surra na Arena, obtendo 57% dos votos válidos. Um ano depois, o governo extinguiu o bipartidarismo. A Arena converteu-se no Partido Democrático Social (PDS) e o MDB estilhaçou-se em cinco novas agremiações: Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Popular (PP). O pleito de 1982, o primeiro pós-64 com multipartidarismo, foi equilibrado. O PDS elegeu doze governadores e a oposição, dez, embora tenha ficado com os estados mais importantes. O período autoritário estava chegando ao fim. Diretas Já Dois
anos depois, o Brasil viveu uma das mais emocionadas campanhas populares
de todos os tempos: o movimento pelas Diretas Já. Durante meses,
milhares de pessoas participaram pacificamente de manifestações
em todo país exigindo a volta das eleições diretas
para presidente. Apesar da pressão popular, em 25 de abril de
1984, a emenda das diretas, de autoria do deputado Dante de Oliveira,
foi rejeitada dela Câmara dos Deputados. Foram 298 votos a favor,
65 contra e três abstenções - a emenda precisa de
320 votos para passar para o Senado. No ano seguinte, Tancredo Neves foi eleito, por meio do Colégio Eleitoral, presidente da República, inaugurando um período que passaria a ser conhecido como Nova República. Primeiro presidente civil após o golpe de 64, Tancredo encabeçava a Aliança Democrática, uma coligação que reunia o PMDB e a Frente Liberal, um racha do PDS, que concorreu com o ex-governador paulista Paulo Maluf. Com a morte de Tancredo, um mês e meio após sua eleição, o país passou a ser governado pelo seu vice, o maranhense José Sarney, ex-presidente do PDS. Ironicamente, até bem pouco tempo, Sarney era um dos principais líderes da Arena, o partido de apoio ao regime militar. Em novembro de 1985, foram realizadas eleições para prefeito das capitais, pleito em que os analfabetos conquistaram, pela primeira vez na história republicana, o direito ao voto. O Brasil voltou às urnas no ano seguinte. Desta vez, as eleições foram embaladas pelo Plano Cruzado, criado pelo governo Sarney para controlar a inflação. O resultado foi uma vitória arrasadora do PMDB, que elegeu 22 governadores, 77% dos senadores e 53% dos deputados federais. Os
tempos de autoritarismo e exceção estavam ficando para
trás, mas foi apenas em 1989 que o brasileiro voltou a escolher
pelo voto direto o presidente da República. Chegava ao fim um
período de 29 anos de eleições presidenciais indiretas.
O país consolidava de vez sua democracia. |