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FRANKLIN
TÁVORA (Poeta) OBRAS A Trindade Maldita (1861); Um Mistério de Família (1861); Os Índios do Jaguaribe (1862); A Casa de Palha (1866); Um Casamento no Arrabalde (1869); Três Lágrimas (1870); Cartas de Semprônio a Cincinato (1871); O Cabeleira (1876); O Matuto (1878); Lourenço (1878); Lendas e Tradições do Norte (1878); Sacrifício (1879).
O
PRIMEIRO MANIFESTO REGIONALISTA Extrato da obra O Cabeleira Que não seria deste mundo pensei eu, descendo das eminências da contemplação às planícies do positivismo , se nestas margens se sentassem cidades; se a agricultura liberalizasse nestas planícies os seus tesouros; se as fábricas enchessem os ares com seu fumo, e neles repercutisse o ruído de suas máquinas? Desta beleza, ora a modo de estática, ora violenta, que fontes de renda não havia de rebentar? Mobilizados os capitais e o crédito; animados os mercados agrícolas, industriais, artísticos, veríamos aqui a cada passo uma Manchester ou uma Nova York. A praça, o armazém, o entreposto ocupariam a margem, hoje nua e solitária, o cômoro sem vida e sem promessa; o arado percorreria a região que de presente pertence à floresta escura. O estado natural, espancado pelas correntes de imigração espontânea que lhe viessem disputar os domínios improdutivos para os converter em magníficos empórios, ter-se-ia ido refugiar nos sertões remotos donde em breve seria novamente desalojado. Uma face nova teria vindo suceder ao brilhante e majestoso painel da virgem natureza. Não se mostrariam mais aqui as tendas negras da fome e da nudez. O trabalho, o capital, a economia, a fartura, a riqueza, agentes indispensáveis da civilização e grandeza dos povos, teriam lugar eminente nesta imensidade onde vemos unicamente águas, ilhas, planícies, seringais sem-fim.
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