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Cruz
e Sousa (Poeta) OBRAS Tropos e Fantasias (1885); Broquéis (1893); Missal (1893); Evocações (1898); Faróis (1900); Últimos Sonetos (1905); Obras (1943); Sonetos da Noite (1958); Obra Completa (1961). UMA VIDÊNCIA SINGULAR Cruz e Sousa foi a estilização ou reação brasileira diante de um Simbolismo eminentemente francês. No processo dialético da obra do grande poeta negro, está a nota mais tipicamente brasileira de um movimento que era francês. A condição do etnicamente marginal, do emparedado, agravada pelas suas debilidades físicas, outorgou-lhe uma cosmovisão de tal maneira peculiar que o distancia convenientemente dos seus companheiros franceses. Mesmo dos que, como Baudelaire, exerceram influência no poeta. (Eduardo Portella, Aventura e Desengano da Periodização Literária) A MEDIDA DO IMPOSSÍVEL Pelos olhos do símbolo, o poeta visionário penetra no invisível e tenta nomear o que não se pode dizer, mas assim lança a medida do impossível que, desde o Simbolismo, persegue toda grande poesia. Tanto as formas alvas quanto a noite de Cruz e Sousa se arriscam a preencher esse mesmo vazio, o indizível da experiência simbólica, o oco do olho, às vezes só silêncio. (Davi Arrigucci Jr., A Noite de Cruz e Sousa) Extrato da obra Emparedado De que subterrâneos viera eu já, de que torvos caminhos, trôpego de cansaço, as pernas bambaleantes, com a fadiga de um século, recalcando nos tremendos e majestosos Infernos do Orgulho o coração lacerado, ouvindo sempre por toda a parte exclamarem as vãs e vagas bocas: Esperar! Esperar! Esperar! Por que estradas caminhei, monge hirto das desilusões, conhecendo os gelos e os fundamentos da Dor, dessa Dor estranha, formidável, terrível, que canta e chora Réquiens nas árvores, nos mares, nos ventos, nas tempestades, só e taciturnamente ouvindo: Esperar! Esperar! Esperar! Por isso é que essa hora sugestiva era para mim então a hora da Esperança, que evocava tudo quanto eu sonhara e se desfizera e vagara e mergulhara no Vácuo...
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